quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Gabinete de Passos Coelho diz que não forneceu documentos à SIC e à Visão


O gabinete do primeiro-ministro esclareceu hoje  que os documentos sobre "alegados encontros entre membros do anterior Governo e elementos de grupos financeiros" divulgados pela SIC e pela Visão não  foram fornecidos pelo atual gabinete.  


"Com o intuito de afastar as dúvidas que têm sido levantadas pela comunicação  social, o gabinete do primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, vem esclarecer  que os documentos sobre alegados encontros entre membros do anterior Gabinete  e elementos de grupos financeiros divulgados pela estação de televisão SIC  e pela revista Visão não foram fornecidos pelo atual gabinete", lê-se numa  nota enviada à comunicação social. 
Na quarta-feira, durante o jornal das 20:00, a SIC revelou que o documento  que esteve na base da demissão do secretário de Estado do Tesouro, Joaquim  Pais Jorge, e que o Ministério das Finanças considerou forjado, teve origem  na residência oficial do primeiro-ministro. 
Antes, o Ministério das Finanças tinha defendido em comunicado que que  o documento, divulgado pela SIC e pela Visão, que implica Joaquim Pais Jorge  nos contratos 'swap' foi manipulado, adiantando que há dois documentos diferentes.
No comunicado, o Ministério das Finanças sustentava que há dois documentos  diferentes, relativamente às propostas de contratos 'swap' do Citigroup  ao Governo de José Sócrates em 2005, e que no documento original não consta  o organigrama em que figura o nome do secretário de Estado do Tesouro, Joaquim  Pais Jorge. 
Através de uma nota da direção de informação da SIC e da Visão, os dois  órgãos de comunicação garantiram que "obviamente não forjaram nem manipularam  qualquer documento sobre este ou qualquer outro assunto" e pedem que seja  dada uma rápida explicação por parte do Governo. 
"O Governo deve esclarecer se houve ou não manipulação de documentos  públicos, que documentos foram forjados e por quem", refere a nota das direções  de informação. 
Ainda na quarta-feira ao final da manhã, a ministra das finanças tinha  aceitado o pedido de demissão do secretário de Estado do Tesouro, Joaquim  Pais Jorge. 
O documento divulgado pela SIC mostra que o Citigroup propôs em 2005  swaps' a Portugal para baixar artificialmente o défice, estando Joaquim  pais Jorge e o dono da consultora StormHarbour entre os responsáveis pela  proposta. De acordo com um documento a que a Lusa também teve acesso, o  banco norte-americano fez várias propostas ao instituto que gere a dívida  pública portuguesa, o IGCP, de swaps' que baixariam artificialmente o défice.
De acordo com o comunicado das Finanças, "o documento que chegou às  mãos dos jornalistas não tem qualquer referência cronológica, nem números  de páginas", ao contrário do documento original e verdadeiro que data de  1 de julho de 2005. 
Para o Ministério, "estas discrepâncias serviram para introduzir, como  segunda página do documento na posse da comunicação social, um organigrama  inverosímil, que não consta da apresentação original, com o logótipo do  banco com um grafismo diferente. É neste organigrama, e apenas nele, que  aparece o nome do secretário de Estado do Tesouro". 
Na sexta-feira, Joaquim Pais Jorge recusou responsabilidades na tentativa  de venda pelo Citigroup ao Estado de swaps' para baixar artificialmente  o défice, e disse não se lembrar se esteve na apresentação da proposta.
No entanto, Pais Jorge confirmou na segunda-feira à SIC, por escrito,  ter reunido com o gabinete de José Sócrates, enquanto diretor do Citigroup.
Na terça-feira de manhã, o secretário de Estado adjunto do ministro-adjunto,  Pedro Lomba, admitia a existência de "inconsistências problemáticas" que  o Governo ia "averiguar" relativamente a documentos referentes ao envolvimento  do secretário de Estado do Tesouro na tentativa de venda de swap' ao Executivo  anterior. 
No dia seguinte, o Departamento de Investigação e Ação Penal anunciou  que vai abrir um inquérito para investigar eventual "ilícito criminal" na  alegada manipulação deste documento. 
Lusa

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