quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Portugal cresce 1,1% e espreita fim da recessão


Crescimento em cadeia mais do que duplicou as previsões dos economistas, mas saldo final de 2013 será negativo.

Depois de dez trimestres a destruir riqueza, a economia nacional regressou ao crescimento. Os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) mostram que a economia cresceu 1,1% entre Abril e Junho face ao primeiro trimestre. É um primeiro passo para sair da mais longa recessão em Portugal desde que há registos, o que só acontecerá com dois trimestres consecutivos de crescimento.

O comportamento da economia portuguesa superou as estimativas dos economistas, que apontavam para uma progressão de 0,5%, e interrompeu um período de dez trimestres a destruir riqueza, que começou no final de 2010, altura em que Portugal começava a entrar no radar dos mercados sobre um possível resgate. O pedido de ajuda veio a concretizar-se poucos meses depois, em Abril de 2011.

Desde então, a economia nunca mais parou de contrair. E a destruir postos de trabalho. Desde o último trimestre de 2010, a taxa de desemprego no país subiu de 11,1 para 17,7% no primeiro trimestre deste ano, aliviando para 16,4% no segundo trimestre - foi a primeira redução em dois anos.

Em termos homólogos (face a igual período de 2012), essa destruição de riqueza manteve-se neste segundo trimestre, com o PIB a cair 2% - ainda assim, o melhor registo desde o terceiro trimestre de 2011.

"A diminuição menos intensa do PIB em termos homólogos no 2º trimestre traduziu sobretudo a redução menos acentuada do Investimento, com destaque para a FBCF em Construção, e a aceleração expressiva das Exportações de Bens e Serviços, em parte associada ao efeito de calendário relativo ao período da Páscoa (celebrada, em 2012, em Abril e, em 2013, em Março)", refere o INE.
As declarações do Governo nos últimos dias têm sido, contudo, de cautela. Até porque as últimas previsões oficiais para o ano continuam a antecipar uma contracção económica. O Banco de Portugal prevê que o Produto Interno Bruto (PIB) recue 2% este ano, com forte queda do consumo privado e público e do investimento. Nos modelos do banco central o crescimento só deverá regressar mesmo em 2014, com uma progressão de 0,3%.

Apesar de o INE ter revelado apenas a estimativa rápida - dados mais completos só serão conhecidos a 6 de Setembro -, uma das causas deste regresso ao crescimento chama-se exportações. No segundo trimestre do ano, as vendas de bens ao exterior aumentaram 6,3% em termos homólogos, com Maio a registar um recorde mensal em valores absolutos.

Outra das causas foi o ponto de inversão da economia da zona euro, que absorve cerca de três quartos das nossas exportações. Entre Abril e Junho o PIB da zona euro terá crescido 0,2% em termos homólogos, desempenho que pôs fim à mais longa recessão da era euro. O número oficial será conhecido esta manhã.
O INE aproveitou ainda para corrigir em baixa o valor do último trimestre do ano passado, que passou a igualar a pior marca de sempre:uma contracção de 4,1%, tal como o registado nos primeiros três meses de 2009.

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