terça-feira, 2 de julho de 2013

Portas apresenta demissão contra nova ministra das Finanças





O ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Paulo Portas, apresentou hoje o seu pedido de demissão ao primeiro-ministro.  A decisão "é irrevogável" e está relacionada com a escolha para substituir Vítor Gaspar, adianta o ministro num comunicado. A nova ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque, tomou posse esta tarde em Belém. O primeiro-ministro esteve reunido com Cavaco Silva. Passos Coelho faz uma declaração ao país às 20:00, a partir de São Bento.

Paulo Portas contesta a escolha de Maria Luís Albuquerque para a pasta  das Finanças. "São conhecidas as diferenças políticas que tive com o Ministro das Finanças. A sua decisão pessoal de sair permitia abrir um ciclo político e económico diferente", escreveu.
"A escolha feita pelo primeiro-ministro teria, por isso, de ser especialmente  cuidadosa e consensual.(...) Expressei, atempadamente, este ponto de vista  ao Primeiro-Ministro que, ainda assim, confirmou a sua escolha. Em consequência, e tendo em atenção a importância decisiva  do Ministério das Finanças, ficar no Governo seria um ato de dissimulação.  Não é politicamente sustentável, nem é pessoalmente exigível".   
Comunicado do Paulo Portas

1. Apresentei hoje de manhã a minha demissão do Governo ao Primeiro-Ministro.
2. Com a apresentação do pedido de demissão, que é irrevogável, obedeço à minha consciência e mais não posso fazer.
3. São conhecidas as diferenças políticas que tive com o Ministro das Finanças. A sua decisão pessoal de sair permitia abrir um ciclo político e económico diferente. A escolha feita pelo Primeiro-Ministro teria, por isso, de ser especialmente cuidadosa e consensual.
4. O Primeiro-Ministro entendeu seguir o caminho da mera continuidade no Ministério das Finanças. Respeito mas discordo.
5. Expressei, atempadamente, este ponto de vista ao Primeiro-Ministro que, ainda assim, confirmou a sua escolha. Em consequência, e tendo em atenção a importância decisiva do Ministério das Finanças, ficar no Governo seria um acto de dissimulação. Não é politicamente sustentável, nem é pessoalmente exigível.
6. Ao longo destes dois anos protegi até ao limite das minhas forças o valor da estabilidade. Porém, a forma como, reiteradamente, as decisões são tomadas no Governo torna, efetivamente, dispensável o meu contributo.
7. Agradeço a todos os meus colaboradores no Ministério dos Negócios Estrangeiros a sua ajuda inestimável que não esquecerei. Agradeço aos meus colegas de Governo, sem distinção partidária, toda a amizade e cooperação.

Paulo Portas
Lisboa, 2 de julho de 2013
Com Lusa    

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