A saída de Miguel Relvas do Governo foi combinada em meados de Março com Passos Coelho, estando prevista que a remodelação do Governo fosse feita em dois actos. A ideia é que Relvas, amigo pessoal do primeiro-ministro mas ao mesmo tempo «a mochila mais pesada nas costas de Passos», nas palavras de um dirigente social-democrata, saísse pelo seu próprio pé.
A lógica era esta: Abril é o mês horribilis: TC, negociação da dívida em Bruxelas, cortes na despesa. Só depois é que o PM terá todas as cartas na mesa para tentar virar o ciclo com uma profunda remodelação. «Ele só tem uma bala e tem que a usar da melhor maneira», resumia há dias fonte do PSD.
Mas os planos iniciais complicaram-se. Relvas, entalado entre a moção de censura do PS imprevista e o acórdão do TC, levou com o inquérito da Lusófona à sua licenciatura em cima. O estrondo foi grande. E, agora, as pressões sobre Passos para que aproveite para fazer uma grande remodelação ainda podem deitar por terra o plano inicial.
Alguns governantes, soube o SOL, não gostaram do timing escolhido por Passos e Relvas e criticam o primeiro-ministro por estar a gerir a conta-gotas as mudanças no Governo.
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