«O primeiro-ministro, com um governo minoritário, tinha bastante conforto em responsabilizar permanentemente a Assembleia da República por uma situação de impedimento de governação. Vários dos ministros nunca tinham sido deputados e atacavam constantemente o Parlamento», recorda Hermínio Martinho, na altura vice-presidente do PRD e responsável pela apresentação da moção de censura, no dia 3 de abril de 1987.
O objetivo do partido liderado por Ramalho Eanes «não era ir para o Governo», mas sim terminar com «a guerrilha constante entre o primeiro-ministro e o Parlamento», que levava o país a «desperdiçar de recursos» que chegavam com a entrada na União Europeia no ano anterior.
A moção de censura foi decidida «cerca de duas semanas antes», numa reunião da comissão diretiva do PRD. E foi Hermínio Martinho quem foi transmitir a iniciativa ao Presidente da República, Mário Soares. «Ele estava doente e ia para o Brasil, por isso recebeu-me em casa», conta ao tvi24.pt.
Das eleições tinha saído um resultado histórico para o PRD, com 45 lugares no Parlamento e uma percentagem pouco inferior à dos socialistas. «Soares estava mais interessado na recuperação do PS e na fustigação política do PRD», lamenta.
Das eleições tinha saído um resultado histórico para o PRD, com 45 lugares no Parlamento e uma percentagem pouco inferior à dos socialistas. «Soares estava mais interessado na recuperação do PS e na fustigação política do PRD», lamenta.
Sem comentários:
Enviar um comentário